Tudo o que você precisa saber sobre comércio de grãos

27/Apr 2022 18:33  - Atualizado 2 meses atrás

Comercialização

Conheça os principais elementos que compõem a cadeia de comercialização do grão, desde o nascimento da demanda até a entrega do produto final

A comercialização dos grãos ultrapassa os limites da propriedade rural e alcança o consumidor final a milhares de quilômetros de distância do local de produção. A atividade comercial dos grãos requer conhecimentos técnicos na área agronômica, engenharia de alimentos, logística, administração, finanças, jurídica, entre outras.

Papel do comprador e do produtor no comércio de grãos

Nesse cenário, temos os dois principais personagens: o comprador e o produtor.

A atuação dos compradores de grãos pode limitar-se à cidade em que eles estão sediados e pode abranger até mesmo outros países, a depender do conhecimento técnico e da capacidade financeira da empresa. Nessa indústria da comercialização agrícola, devido ao grande número de concorrentes no mercado e à forte competição, os comerciantes de grãos possuem uma posição fraca em poder de negociações com os vendedores.

O ganho financeiro é marginal, e é crucial um controle rigoroso dos custos operacionais e o alto grau de profissionalismo para obter ganho de competitividade. A decisão do comprador final se baseia principalmente no menor preço do milho, e a ausência de lealdade ao fornecedor é prática comum no mercado.

Já para o produtor rural a comercialização é tão importante quanto a produção do grão; conhecer o funcionamento e os mecanismos da comercialização agrícola permitem ao produtor rural melhorar a eficiência e ter segurança nas tomadas de decisões. O resultado financeiro obtido com a comercialização do grão pode determinar a permanência do produtor rural na atividade, e o resultado financeiro na produção agrícola depende da produtividade, custos de produção e o preço de venda do milho ou da soja.

Como funcionam os diferentes tipos de mercado

As negociações com grãos podem ocorrer tanto no mercado interno quanto no mercado externo.

Mercado Interno de comércio de grãos

No mercado interno as operações de grão são realizadas no país de produção e o destino do grão pode ser o mercado doméstico ou a retaguarda portuária para o mercado externo. Normalmente, o produtor rural vende o milho ou a soja com retirada nos armazéns na região produtora e o comprador efetua a retirada e o transporte do grão até o destino.

Dentro do mercado interno, temos o Mercado Diferido e o Mercado Tributado.

  • O Mercado Diferido se refere às operações internas no próprio estado onde o grão foi produzido. A negociação é isenta do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços, o ICMS.
  • O Mercado Tributado consiste nas operações interestaduais e, no caso, ocorre a incidência do ICMS. Normalmente os vendedores são os comerciantes de grãos, como cerealistas e cooperativas, e os compradores são os consumidores finais, como indústrias de soja, biodiesel, fábricas de ração e moinhos.

Mercado Externo de comércio de grãos

No Mercado Externo as operações se caracterizam por serem praticadas fora do país de produção do grão, voltada ao mercado internacional. As grandes empresas atuantes na comercialização dos grãos são conhecidas como Trading Companies, que normalmente compram o milho na região produtora e levam até o terminal portuário. A partir deste momento, o trader é o responsável pela comercialização e transporte do grão no mercado externo desde o porto de origem até o porto de destino.

Os elementos principais do comércio de grãos

Com esse contexto de mercado em mente, para discutir o trading de grãos vamos focar nesse vídeo nos quatro elementos principais: o Preço, a Logística, o Pagamento e a Qualidade.

Preço do Milho e Preço da Soja

O preço do milho varia em cada estado e até em cada cidade. Chegar num consenso desse preço é um dos principais fatores para fechar a negociação entre as contrapartes.

No caso do milho, existem basicamente duas influências maiores na formação de preços no mercado interno. A primeira é a cotação do cereal na Bolsa de Chicago, importante, pois os Estados Unidos são o maior produtor e consumidor mundial. Em segundo plano, pesa também o preço do milho na Bolsa de Mercadorias e Futuros, afinal o Brasil é um grande consumidor de milho. Além disso, temos o prêmio de exportação, o dólar comercial, o frete, o custo portuário, fatores que acabam por acrescer ou diminuir o preço do cereal no mercado interno.

O desafio da logística

A logística envolve o processo de planejamento, implantação e controle do fluxo eficiente e eficaz dos grãos, desde o ponto de origem até o ponto de consumo com o propósito de atender às exigências dos clientes.

Na comercialização de grãos, a logística está envolvida no escoamento da produção, na armazenagem e no transporte. Alterações nos custos de transporte, custo do capital e na taxa de câmbio afetam diretamente o custo final do grão, prejudicando, assim, a demanda, e podem modificar os limites geográficos de atuação no mercado.

O grande desafio logístico é conciliar as opções de transporte do grão no prazo estabelecido e ao menor custo possível, obtendo desse modo vantagem competitiva frente aos demais concorrentes do mercado. Por isso é importante conhecer os canais e as alternativas de escoamento do grão tanto no mercado doméstico quanto no internacional.

Na prática, o comprador e o produtor discutem sobre quem fica com esse risco do frete. E é aí que entram as modalidades CIF e FOB. Apesar de tecnicamente, esses termos se referirem ao transporte marítimo, em um contexto cotidiano na modalidade CIF o produtor leva a mercadoria até o comprador. Na modalidade FOB, o comprador busca o grão diretamente na fazenda, seja por frota própria ou contratando o frete.

Condições de pagamento de grãos

A condição de pagamento também se torna um fator importante. Para que o produtor conceda prazo para receber o dinheiro referente ao grão, é preciso existir uma relação de confiança com a contraparte, ou pode ser feita uma análise de crédito. Dessa maneira, a condição pode ir desde o pagamento adiantado, até após o descarregamento conhecido como “sobre rodas”, ou com algum prazo de dias, ou meses.

Qualidade do grão

A classificação vegetal serve para classificar e certificar a qualidade do grão e promover a segurança alimentar. No Brasil a classificação vegetal é determinada pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o MAPA e nos Estados Unidos é determinada pelo Departamento de Agricultura, o USDA.

A qualidade específica depende do objetivo para que o milho será utilizado. No MAPA Tipo I, por exemplo, a umidade é limitada até 14%, os grãos avariados tem o máximo de 6%, grãos ardidos e mofados, máximo de 1%, dentre outros detalhes.

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Essa foi uma visão geral dos principais elementos do trade. Cada um desses elementos pode ser destrinchado em diversos aspectos. Entender cada um deles, em detalhes, é essencial para alcançar sucesso no mercado de comercialização de grãos.

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