Suspensão do crédito rural referente ao Plano Safra é prorrogada

18/Apr 2022 16:06  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Suspensão está ativa desde fevereiro de 2022, e visa esperar a suplementação do orçamento para a equalização das taxas de juros

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgou ofício informando nova prorrogação da suspensão de novos pedidos de crédito rural referentes ao Plano Safra 2021/22. A suspensão permanecerá até o dia 29 de abril, e apenas as contratações de crédito de custeio do Pronaf, programa governamental voltado à agricultura familiar, permanecem abertas.

A STN justifica a prorrogação devido a não aprovação do Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 1/2022, que prevê suplementação de R$868,5 milhões para equalização de taxas do Plano Safra atual. No dia 29 de março, a Comissão Mista de Orçamento do Congresso (CMO) aprovou o projeto, que abre um crédito adicional total de R$2,572 bilhões, incluindo recursos para pagamento de despesas com pessoal, mas o texto ainda precisa ser votado no plenário do Congresso e, depois, sancionado pela Presidência da República.

A suspensão se deu após o reajuste da taxa Selic pelo Banco Central, dado que o valor orçamentário disponível não seria o suficiente para a equalização das novas taxas de juros. No fim de março, a STN já havia estendido, para até 15 de abril, a suspensão de novas contratações de financiamento, que tinham sido congeladas no início de fevereiro. Os recursos bloqueados somam aproximadamente R$24,7 bilhões e referem-se a linhas de investimento do Pronaf, para custeio e investimentos do Pronamp, e destinadas a grandes produtores.

Inflação:

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), a inflação acumulada nos últimos 12 meses chega a 12% e atinge com mais força as famílias com renda domiciliar menor que R$1.808,79. Os dados vão até o mês de março de 2022.

A variação de preços acumulada em um ano cai conforme a renda aumenta. Para famílias com renda superior a R$17.764,49 por mês, a taxa gira em torno de 10%, enquanto que para as demais faixas, a inflação foi de 11,6% para renda baixa e média-baixa, 11,1%, para renda média, e 10,4% para renda média-alta.

Ao se considerar apenas o mês de março, o cenário se repete, com as famílias de renda muito baixa tendo inflação mensal de 1,74%, 1,72% para as famílias de renda baixa, 1,70%, para as famílias de renda média-baixa, 1,63%, para as famílias de renda média, 1,51%, para as famílias de renda média-alta, e de 1,24% para as famílias de renda alta.
A inflação oficial de março calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para toda a população brasileira foi de 1,62%, a maior para um mês de março desde a implantação do Plano Real, em 1994. Em 12 meses, o indicador acumula aumento de 11,3%.