Suinocultores enfrentam a pior relação de troca da história, com negócios atingindo metade da margem ideal, afirma ABCS

16/Feb 2022 15:05  - Atualizado 5 meses atrás

Agronegócio Milho Suinocultura

Média diária de carne suína exportada girou em torno de 3,1 toneladas, frente às 4 toneladas no mesmo período do ano passado

Em nota, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) afirmou que, devido à ampla oferta de suínos e custos elevados de produção, suinocultores enfrentam a pior relação de troca da história. A entidade ainda revela que, em janeiro, para a venda de um quilo de suíno, compra-se 3,65 quilos de milho, ou 2,11 quilos de farelo de soja; idealmente, tem-se margem positiva na relação de troca quando um quilo de suíno equivale a 6 kg de milho ou 3,5 kg de farelo de soja. Na semana passada, avicultores já haviam apresentado preocupação semelhante, em relação à troca de ovos e grãos.

O início de fevereiro agravou ainda mais a desigualdade na relação de troca, e a Associação se preocupa com os indicadores de exportação da carne suína para outros países, em especial, China e Rússia. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostra que a média diária de carne suína exportada girou em torno de 3,1 toneladas, frente às 4 toneladas no mesmo período do ano passado. O déficit é um indicativo que não haverá crescimento significativo das exportações por hora, e a situação preocupa os produtores, que aumentaram a disponibilidade interna de carne suína em 284 mil toneladas no ano passado. Além disso, a queda do valor da tonelada exportada em fevereiro dificulta a vazão do produto; a redução de quase US$300 por unidade se mostra significativa frente ao aumento do custo de manutenção dos animais.

A ABCS informa ainda que tem trabalhado junto ao governo federal, solicitando medidas emergenciais que possam amenizar este momento, além de trabalhar no incentivo ao consumo para fortalecer o mercado interno, diminuindo a dependência das exportações e escoando o excedente da produção. Entre as opções estão a prorrogação do prazo de pagamento dos custeios pecuários em um ano, a manutenção da isenção das alíquotas de contribuição incidentes na importação do milho (Pis/Cofins) até dezembro de 2022 e a reativação da linha de crédito de custeio direcionada à retenção de matrizes suínas (com a concessão de limite de crédito de R$ 2,5 milhões por beneficiário).