Riscos na produção agrícola

11/Nov 2021 11:05  - Atualizado 8 meses atrás

Ao contrário dos outros setores produtivos, a atividade agrícola depende fortemente de recursos naturais e do ambiente biológico. O que mais entra em destaque ao analisar os riscos produtivos que acometem o setor agrícola é a instabilidade dos parâmetros de impacto. Plantas, pragas, doenças e o clima são altamente voláteis e instáveis. O clima não se repete de um ano para o outro e a plantação pode sofrer com diversos fatores de formas altamente impactantes. O setor produtivo agrícola é uma atividade de alto risco. 

E, considerando os investimentos de altíssimo capital, os riscos da agricultura contemporânea podem ser gigantescos. Se considerarmos uma seca inesperada, geadas fortes ou chuvas inconstantes, a quebra de safra pode ser crítica para o produtor brasileiro.

Para o produtor, a decisão de cultivo engloba diversas visões. No processo produtivo, as avaliações de risco e de tomada de decisão ocorrem antes, durante e depois da produção. Ao decidir o que produzir, como produzir e para quem produzir, os produtores estão sempre levando os parâmetros de riscos em consideração.

Com isso, cada vez mais os sistemas e processos de gestão de risco estão se tornando inseparáveis da produção agrícola. Mudanças de clima mais recorrentes e a intensificação dos sistemas produtivos acabam por colocar os impactos de uma perda produtiva cada vez maiores e mais consideráveis. Eventos climáticos podem acabar acarretando em alguns prejuízos ao mercado:

  • Perdas relevantes na produção.
  • Queda das exportações.
  • Redução da ocupação direta e indireta.
  • Maior volatilidade na produção e renda dos produtores.
  • Elevação de preços para os consumidores.

Tipos de riscos associados à produção

Quando se pensa em riscos da atividade agrícola, os principais pontos que são levantados tem relação aos impactos climáticos, mas existe uma série de riscos associados que também devem ser levados em consideração:

  • Riscos de produção.
  • Riscos de gestão dos recursos (em especial dos recursos naturais).
  • Riscos de crédito e comercialização.
  • Riscos relacionados ao mercado externo.
  • Riscos decorrentes da infraestrutura (logística e armazenamento).

A disponibilidade energética aparece como um dos principais riscos associados quando se trata da cadeia de produção agrícola. Em todo o ciclo produtivo existe uma dependência grande de energia, tanto durante a preparação quanto durante a produção e escoamento dos produtos. Os combustíveis fósseis abastecem grande parte do setor, mas, considerando as mudanças climáticas drásticas, alternativas sustentáveis acabam ganhando força.

Com cada vez mais impacto no mercado, as energias renováveis têm conseguido ganhar a confiança de cada vez mais players no mercado, apesar de ainda surgirem incertezas quanto à adoção, impacto e valor percebido. 

O que percebe-se nas últimas safras brasileiras, é uma alta nos números de importação de insumos externos. Atualmente, mais de 70% do consumo total de fertilizantes na agricultura brasileira é suprido por importações. Com isso, outro fator de risco que surge é a dependência interna por esses produtos, principalmente por fertilizantes e insumos de base para a produção. Considerando que impactos na cadeia mundial de distribuição deste setor podem acarretar diretamente no custo de transporte, tempo de entrega e, consequentemente, no custo final dos insumos.

Atualmente, mais de 40% dos custos de produção das principais culturas do país são com fertilizantes. Os preços das matérias-primas, das commodities agrícolas e até do petróleo podem impactar nos preços em que estes insumos chegam nas lavouras brasileiras.  

Gestão de Riscos

Para a gestão de riscos na produção agrícola, o produtor deve conciliar diferentes medidas e frentes de atuação. 

Ao traçar a estratégia de gerenciamento dos riscos são avaliadas duas dimensões importantes: o impacto que o risco pode causar, avaliado por severidade, e a probabilidade de ocorrência deste risco. A partir disso, a fazenda pode classificar os riscos, avaliar seus impactos e priorizar as políticas institucionais de atuação, segmentando por diferentes tipos de riscos: 

  • Riscos frequentes com perdas pequenas.
  • Riscos pouco frequentes mas com grandes impactos.
  • Riscos com frequência e impacto consideráveis e que não podem ser negligenciados. 

A partir disso, o produtor pode executar algumas estratégias direcionadas para mitigar ou reduzir os impactos dos eventos prejudiciais à produção daquela safra.

Sobre a gestão de riscos, existem três principais maneiras de abordar políticas de tratamento de eventos:

  • Prevenção ou mitigação: tem o objetivo de reduzir os danos ou a probabilidade de ocorrência do risco. A técnica de zoneamento de áreas para cultivo próprio de determinadas culturas é um exemplo de técnica preventiva, que evita aumentar o risco de financiamento em uma região não recomendada.
  • Transferência: neste caso, para riscos que são difíceis de evitar ou mitigar, ocorre a diluição dos efeitos críticos do evento entre um grupo, seja através de seguro rural, cooperativismo, entre outros. 
  • Enfrentamento ou resposta: neste caso, após a ocorrência de algum evento de risco, o produtor recorre a algumas estratégias ou programas de suporte. Um exemplo é o Programa Garantia Safra, que fornece benefícios financeiros para pequenos produtores que perderam pelo menos 50% da produção.

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