Previsão das safras de soja e milho no Brasil crescem após revisão

01/Apr 2022 15:10  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Produção de soja tem aumento de 1 milhão de toneladas, enquanto milho apresenta reajuste positivo de 2,5 milhões de toneladas

Em nova estimativa, a StoneX elevou a previsão da safra de soja do Brasil em cerca de 1 milhão de toneladas, totalizando 122,06 milhões de toneladas, com ajustes positivos na produtividade de Mato Grosso e Goiás, e defende que a revisão pode se refletir nas expectativas de exportação, que agora está estimada em 76 milhões de toneladas, contra os 75 milhões no mês anterior.

Com a quebra de safra, apesar do aumento, a produção de soja ficará 15,9% abaixo do potencial de recorde, de 145,1 milhões de toneladas, representando queda de 10%.

No Rio Grande do Sul, a colheita da oleaginosa alcançou 19% das áreas cultivadas em 2021/22, representando avanço de cinco pontos percentuais na semana, mas com atraso em relação ao mesmo período de anos anteriores, enquanto efeitos da seca ainda são vistos sobre a produtividade da safra, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – Emater-RS. No ano anterior, os trabalhos estavam em 24%, e a média histórica para esta época é de 40%, de acordo com os dados do órgão.

Contudo, há uma tendência da produtividade se elevar à medida que a operação incluir cultivares mais tardias ou lavouras estabelecidas a partir de dezembro.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) fez um ligeiro ajuste na safra de soja, cuja colheita atingida pela seca já foi encerrada. Dessa forma, a produção do estado foi estimada em 11,58 milhões de toneladas, ante 19,8 milhões de toneladas em 2021.

Milho

Para o milho, a estimativa de produção total da StoneX, em 2021/2022, é de um recorde de 118,6 milhões de toneladas, após revisão de 2,5 milhões de toneladas para cima, ante a projeção de março. O aumento aconteceu com o bom desenvolvimento da segunda safra, já com plantio na fase final, estimada em 91,9 milhões de toneladas, ante 89,38 milhões na previsão anterior.

Dessa forma, apenas a segunda safra deste ano caminha para superar a produção total de milho do Brasil do ano passado, que somou 86,6 milhões de toneladas, por conta de perdas pela seca e geadas em 2021.

A StoneX também divulgou sua projeção de demanda doméstica, que segue estimada em 75,5 milhões de toneladas, ao passo que as exportações continuam em 40 milhões de toneladas, com forte recuperação ante 2021.

Já a Safras & Mercado estima a produção brasileira de milho em 2021/22 para 118,155 milhões de toneladas, superando as 91,469 milhões de toneladas colhidas na temporada 2020/21 devido ao bom desempenho da safra de milho verão, e ainda melhor da safrinha. A safra de milho de verão 2021/22 de milho foi revista novamente pela consultoria e deverá atingir 21,158 milhões de toneladas, superando as 20,297 milhões de toneladas projetadas no relatório passado. Na Região Sul, houve melhora nos índices, mas a produção ficará abaixo das 21,645 milhões de toneladas colhidas na primeira safra 2020/21 devido aos efeitos da La Niña.

No Centro-Sul do Brasil, a estimativa gira em torno de 4,384 milhões de hectares, 0,7% acima da cultivada na temporada 2020/21, sem mudanças em relação ao levantamento anterior. A produtividade média da safra de verão 2021/22 melhorou também e deve ficar em 4.825 quilos por hectare, abaixo dos 4.973 quilos por hectare obtidos na temporada 2020/21.

A área da safrinha 2021/22 deverá aumentar 1,9% na comparação com os 14,401 milhões de hectares cultivados em 2020/21, atingindo 14,669 milhões de hectares, acima dos 14,58 milhões de hectares previstos em fevereiro. A produtividade média da segunda safra deve chegar a 5.766 quilos por hectare, superior em relação aos 5.716 quilos por hectare indicados no relatório passado e aos 4.017 quilos por hectare colhidos na safrinha 2021, sendo prevista em 84,578 milhões de toneladas, superando as 57,852 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior e as 83,341 milhões de toneladas indicadas no relatório de fevereiro. Dessas 57, cerca de 37 milhões de toneladas devem vir diretamente do Mato Grosso.

Para as regiões Norte e Nordeste, a estimativa de área foi indicada em 2,321 milhões de hectares, sem alterações ante fevereiro, ficando aquém perante os 2,354 milhões de hectares cultivados na temporada 2020/21. A produtividade média poderá alcançar 5.350 quilos por hectare, acima dos 5.085 quilos por hectare obtidos na safra 2020/21. Na estimativa anterior, o rendimento médio havia sido apontado em 5.187 quilos por hectare. 

No Rio Grande do Sul, a colheita de milho atingiu 75% das áreas e está adiantada em relação aos 68% vistos um ano antes e à média histórica, de 63%. Na semana, os trabalhos tiveram avanço de somente três pontos percentuais, com avanço lento na colheita.

No Paraná, a segunda safra de milho do Paraná 2021/22 foi estimada em 15,9 milhões de toneladas, apontou o Deral, que elevou sua projeção em 400 mil toneladas na comparação com a previsão do mês anterior após um ajuste na área plantada em meio a bons preços.

Se este volume for confirmado, a produção de milho segunda safra no Paraná, que responde pelo maior volume produzido do cereal no Estado, quase triplicaria em relação à temporada anterior, quando as plantações foram atingidas por seca e geadas.

O plantio de milho, dessa forma, deverá crescer 7% ante o ciclo anterior, para quase 2,7 milhões de hectares na segunda safra.

Com o clima colaborando e o plantio praticamente finalizado, o Paraná poderia ter uma grande segunda safra, após perdas na colheita de verão pela seca.