Preços do milho voltam a subir com a chegada de frente fria

17/May 2022 13:59  - Atualizado 1 mês atrás

mercado do milho Mercado Externo

No mercado externo, Índia proíbe exportação de trigo e deixa mercado preocupado

Apesar da expectativa de safra recorde no Brasil, os valores do milho voltaram a subir na semana passada, interrompendo, portanto, o movimento de queda diária que vinha sendo verificado desde o encerramento de abril.

Segundo pesquisadores do Cepea, os preços domésticos foram influenciados pela apreensão de agentes com a chegada de uma frente fria em parte das regiões produtoras, que pode trazer geadas e, consequentemente, prejudicar o atual bom desenvolvimento das lavouras. Esse cenário limita o ritmo de negócios internos.

Além disso, as cotações também foram impulsionadas pelas altas externas do cereal, que, por sua vez, subiram diante de estimativas oficiais indicando possível queda na produção mundial do cereal, devido ao clima desfavorável nos Estados Unidos e a dificuldades diante da guerra na Ucrânia.

No entanto, os indicadores revelam um canal de tendência de baixa no milho. Segundo os analistas de mercado, o cereal tem mais motivos de queda do que de alta, tanto no mercado nacional, como no internacional. No mercado internacional, a China indicou que importará menos milho. A previsão de importação é de 18 milhões de toneladas para a safra 22/23, ante 23 milhões na safra de 2020 e 2021.

No Brasil, os compradores estão abastecidos e esperam a safrinha. Por isso, só fazem compras de ocasião, se e quando os preços forem atraentes. Na B3, as cotações recuaram 10,42% entre fevereiro e maio deste ano, passando de R$ 96,84 para maio, para R$ 86,75/saca, como mostra o fechamento desta sexta-feira.
Além disso, o inverno pode ser fator positivo para os preços, pois a ocorrência de geadas e o maior consumo animal no inverno poderão revigorar os preços do milho.

Mercado Externo

A Índia proibiu as exportações de trigo devido ao súbito aumento dos preços do cereal no mercado mundial. A informação é da agência de notícias da Alemanha Deutsche Welle.

Segundo o país, a proibição da exportação do cereal é para evitar riscos à segurança alimentar.
A Índia é o segundo maior produtor de trigo, com 107 milhões de toneladas, cerca de 13,5% da produção mundial.

Nesta segunda-feira pela manhã, os contratos futuros do trigo negociados na Bolsa de Chicago retomaram o pregão com preços acentuadamente mais altos.

Cerca de um mês atrás, o país asiático havia garantido que atenderia à demanda global em meio à guerra na Ucrânia. A Índia pretendia embarcar um recorde de 10 milhões de toneladas de trigo neste ano. Os preços em Chicago subiram aos maiores níveis desde 8 de março deste ano.

Analistas acreditam que o mercado deve levar algum tempo para se adaptar ao novo aperto da oferta. Ao que tudo indica, no entanto, acordos prévios do governo e do setor privado indiano com outros países devem ser cumpridos, como no caso do Egito.

Neste fim de semana, a medida adotada pela Índia foi criticada pelos ministros de Agricultura do G7, reunidos na Alemanha, que afirmaram que a decisão do governo indiano “agravará a crise” de provisionamento mundial de cereais provocada pela guerra da Ucrânia.