Preço do petróleo sobe e governo reage para frear a alta dos combustíveis

09/Mar 2022 15:37  - Atualizado 4 meses atrás

Combustível Etanol Soja USDA

O Governo discute hoje alternativas para reagir à crescente alta nos valores do petróleo. A alta no combustível já desencadeou a valorização da soja no mercado internacional

Diante dos atuais desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia no mercado de petróleo e gás mundial, o etanol hidratado pode crescer frente à gasolina no Brasil entre 2022 e 2023, avaliou nesta quarta-feira a StoneX. A consultoria ainda projeta um aumento de 5,6% na produção de etanol de cana do centro-sul em 2022/23, para 25,5 bilhões de litros, enquanto a fabricação do combustível a partir do milho deve saltar 18,9%, para 4,2 bilhões de litros, com ampliação da capacidade das usinas.

Além do conflito geopolítico na Europa, o mercado de petróleo pode oscilar com o possível avanço do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã. Desde a invasão russa, os preços do barril de petróleo subiram acima de 30%, atingindo US$100 pela primeira vez na década, chegando a US$133 após o presidente estadunidense Joe Biden anunciar a interrupção de compras de petróleo e gás russo.

Nesse cenário, o governo federal brasileiro avalia formas de minimizar a alta para os consumidores, discutindo alterações na aplicação do ICMS, aporte de subsídio e congelamento de preços. No presente momento, a alternativa mais viável para o governo se tornou a concessão de um subsídio temporário, que irá durar de três a seis meses, para tentar conter a alta dos combustíveis no Brasil, porém, a alternativa a ser adotada ainda não foi discutida. 

Embora a ideia do subsídio tenha ganhado força com o apoio da Petrobrás, com a inconstância do mercado de petróleo, a preocupação é que o dinheiro investido não consiga reverter o cenário caso o preço do petróleo continue a subir. A pauta permanece em discussão, em meio às desavenças com o poder executivo sobre qual alternativa tomar.

Mercado de Grãos:

A alta no preço do petróleo e novas vendas puxaram todo o complexo da soja para cima na Bolsa de Chicago, de acordo com informações divulgadas pela TF Agroeconômica. A alta do petróleo, óleos vegetais e subprodutos da soja foram os principais motivadores para a alta do preço da oleaginosa, influenciado também após o anúncio das exportações de soja dos Estados Unidos, reforçando a sensação de demanda. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) irá liberar, nesta quarta-feira, dia 09, novo relatório com a atualização das estimativas de produção da soja na América do Sul e saldo de grãos na América do Norte.