PIB do agronegócio deve cair em 2022 com conflito no leste europeu

17/Mar 2022 15:07  - Atualizado 4 meses atrás

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Após aumento de 8,36% em 2021, o PIB do agronegócio deve desacelerar ou até mesmo reverter o ritmo positivo frente os desdobramentos da guerra na Ucrânia, segundo Cepea

Após dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que indica o sucesso do agronegócio mediante o PIB brasileiro ao longo de 2021, PIB do agronegócio deve desacelerar, ou até mesmo cair em 2022 devido aos impactos da guerra na Ucrânia. A Tarken fez um material sobre o release, confira aqui. Em 2021, o setor cresceu 8,36% e representou cerca de 27% do PIB brasileiro.

A previsão feita pelo Cepea apresenta cenários pessimistas e otimistas, que incubem na queda de 6% a 4% do PIB do agronegócio no pior dos casos, e crescimento mais lento, de 5%, no melhor cenário possível. Apesar de já incidirem sobre o PIB no ano anterior, a alta expressiva dos preços de fertilizantes, combustíveis e energia, além dos preços dos grãos são o fator a limitar ou reverter o crescimento.

O setor pecuário, que mais sofreu na análise do PIB tende a permanecer em situação de fragilidade, dado que a demanda interna por proteína permanece fraca mediante a superprodução atual. Apesar das exportações serem uma boa alternativa, o Cepea não acredita que será o suficiente para equilibrar o panorama atual. 

O conflito na Ucrânia é o principal limitador do crescimento do PIB do agronegócio devido às flutuações em diferentes mercados. Caso os países envolvidos caminhem em direção à alguma resolução do conflito, espera-se que os preços normalizem com a estabilização da oferta.

Conflito entre Rússia e Ucrânia:

Após três semanas de conflito, iniciado a partir da invasão de tropas militares russas em território ucraniano, países seguem em direção a um cessar-fogo a partir de negociações que estão tomando forma entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy e Ministro das Relações Exteriores russas, Sergei Lavrov. Entre os termos, está a instauração da Ucrânia como país neutro, mediante garantias de segurança.

O conflito desencadeou inúmeras reações nos mercados de grão, combustível, energia e insumos agrícolas, e a expectativa  é que os preços caiam, mesmo que de forma branda, com a resolução do conflito.

Petróleo fecha em queda:

Com especulações sobre resolução do conflito entre Rússia e Ucrânia, o barril de petróleo fecha abaixo dos US$100 e indica estabilização dos preços. A queda é bem-vista dado o aumento recente dos preços dos combustíveis no Brasil, homologados pela Petrobrás, que aumentou em 18,7% na  gasolina, 24,9% no diesel e 16% no gás de cozinha. 

O aumento foi anunciado horas antes da aprovação do Congresso e do Senado sobre o projeto que revê a cobrança do ICMS sobre combustíveis, e foi percebido como imprudente pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, o projeto da alteração de cobrança já seria o suficiente para reagir à alta nos preços do barril de petróleo. Bolsonaro ainda aguarda retorno da estatal em relação à redução de preços, após flutuação do barril de petróleo.