O que faz o preço do milho cair ou subir?

11/Nov 2021 11:10  - Atualizado 8 meses atrás

O milho é a segunda maior cultura agrícola do Brasil, ficando atrás apenas da soja. A principal justificativa para essa ampla produção é o seu emprego como matéria prima para fabricação de ração animal e outros produtos derivados, que são utilizados em diversas indústrias do país. 

Por isso, devido a ampla rede de produtos derivados e/ou dependentes do milho, a flutuação dos preços do grão causa impactos em diversos segmentos de mercado. E não é apenas internamente. Os preços internos do milho no Brasil impactam diretamente mercados externos dependentes do produto nacional, já que somos o terceiro maior produtor de milho do mundo (e o segundo em soja) e, por isso, um dos maiores exportadores mundiais. 

São diversos os fatores e pontos que influenciam os preços praticados no mercado físico brasileiro. Normalmente, uma oscilação de preços pode ser justificada por mais de um fator de influência. 

Vamos abordar os principais pesos que impactam os preços do milho no país: 

O mercado futuro da Bolsa de Chicago (CBOT)

A CBOT (Bolsa de Comércio de Chicago) é referência para o acompanhamento dos preços de commodities em todo o mundo. Isso ocorre porque são negociados diariamente grandes volumes de contratos de importação e exportação de diversos players diferentes, como traders e grandes negociadores. 

Os contratos são negociados em dólar por bushel (medida de volume correspondente a 27,215 kg) e para datas futuras de negociação. Entende-se o mercado futuro de commodities como um mercado no qual são efetuadas negociações de compra e venda por meio de contratos padrões e uniformes, com entrega ou liquidação estabelecida pelas partes para uma data futura. 

Em uma negociação por contrato futuro, compra-se ou vende-se com um pagamento a vista mas para uma “entrega futura”, expressa no contrato. A partir disso, formam-se os preços futuros do grão, que incorpora os valores a vista mais as especulações dos negociadores a respeito as futuras oscilações do mercado, que são influenciadas por: custo, demanda e oferta, exportações, preço dos bens substitutos, câmbio, clima, sazonalidade (safra e entressafra), poder aquisitivo, atitudes dos compradores internacionais e também os juros.

Oferta e demanda

A definição de commodities no mercado é a de produtos com baixo grau de industrialização e grandes volumes de produção. Com isso, os preços destes tipos de produtos são altamente influenciados pelos volumes de consumo e de produção dos principais players do mercado. 

O impacto da oferta e demanda de um determinado produto é percebido a partir da falta ou excesso dos volumes no mercado interno e externo. Neste caso, as expectativas de produção e consumo também têm grande influência nos preços praticados nas praças do país, já que as especulações de mercado se embasam bastante em como será a situação de oferta e demanda futura. 

Como exemplo, quando as condições de clima e produção são favoráveis às lavouras, as estimativas de safra apontam maiores volumes e, junto com isso, as previsões de consumo interno ou de demandas de exportações são reduzidas (ou se mantêm), os preços sofrem pressão e acabam caindo.

Nesse caso, o mercado fica atento aos relatórios disponibilizados com frequência pelas principais entidades do mercado, como o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) –  com o relatório de Estimativa de Área de Produção para a próxima safra ou o relatório de Oferta e Demanda Agrícola Mundial -, a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) e o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea). 

Condições climáticas

O principal impacto da variação do clima é na produtividade das lavouras, que acaba gerando impactos na produção total da safra. A precipitação (quantidade e periodicidade) e a temperatura (com geadas ou altas temperaturas) são os principais pontos a se atentar que influenciam as culturas do milho no país. Elas impactam o metabolismo da planta, a resistência da mesma ao ataque de doenças e pragas, entre outras atividades necessárias para o sucesso da plantação.

Além disso, o clima ainda pode impactar as janelas de colheita e plantio. Por exemplo, caso as chuvas perdurem por mais tempo do que previsto ou ocorram em épocas atípicas, a colheita do grão pode sofrer com atrasos, o que acaba gerando um atraso na oferta no mercado e/ou um plantio tardio da próxima safra. Outros fatores atípicos do clima ainda podem influenciar a produção de forma não sazonal, como são os casos do El Niño ou do La Niña, que causam alterações climáticas nas regiões produtoras mundiais. 

Condições do mercado externo

Alguns players do mercado externo têm grande influência nas demarcações de preços do milho interno brasileiro. 

A China, por exemplo, é um dos países que, apesar da grande produção do cereal, mais importa milho no mundo. Com a necessidade de balizar os estoques internos do grão, os chineses importam grandes lotes de todo o mundo. Por isso, caso o país asiático altere o seu comportamento perante à compra de milho, os preços internacionais tendem a oscilar.

Com os Estados Unidos a situação também é parecida. Entretanto, os norte-americanos entram no mercado mais como grandes exportadores do grão, já que são o país que mais produz milho do mundo. Pensando nisso, os preços praticados são diretamente impactados pelos relatórios de produção, oferta e demanda do país, que são disponibilizados com frequência durante as safras. 

Outro ponto que pode impactar diretamente o mercado de commodities são as sanções comerciais. Sanções internacionais são ações determinadas e realizadas por um país contra um ou mais países. Essas atitudes podem surgir a partir de diversas motivações, como questões diplomáticas, militares, econômicas ou comerciais.

As sanções normalmente são implementadas a partir de tarifas de importação ou exportação, que geram grande instabilidade e incerteza na dinâmica do mercado externo mundial. Com isso, a flutuação de preços passa a ocorrer enquanto a conjuntura econômica se mantenha em sanção. 

Por fim, outro ponto a se ficar atento na situação mundial do mercado é a logística externa. Diversos pontos podem acarretar em um caos logístico mundial, que acarreta diretamente nos custos de transporte e armazenamento das commodities.

Um ótimo exemplo foi o navio Ever Given que encalhou no canal do Suez em Março de 2021 e que impactou bruscamente a logística internacional. O impacto foi tão marcante que mesmo após meses do incidente os preços de transporte, containeres e fretes mundiais ainda estavam super aquecidos.

Além dos custos de transporte, a logística externa comprometida pode impactar no abastecimento de insumos agrícolas que sustentam as safras do país. O atraso da entrega impacta o avanço da produção das lavouras nacionais, o que, consequentemente, gera um abastecimento tardio do mercado e, por fim, aumento dos preços praticados. 

Conclusão 

Assim, percebe-se que os preços do milho no mercado interno são influenciados por diversos fatores. As flutuações dos preços futuros do milho na CBOT e na B3, as previsões e impactos climáticos, a logística e situação econômica mundial e diversos outros pontos podem levar os preços para patamares mais baixos ou altos em todas as regiões negociadoras do país.

E, por isso, é importante acompanhar os principais relatórios, notícias e números de mercado diariamente, além de tratar as negociações do grão de forma planejada, visando sempre o mercado futuro em comparação com o mercado spot. 

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