Ministro da Agricultura assume posição favorável à política de fertilizantes

01/Apr 2022 16:16  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Além de confirmar viagens para países do norte da África e receber representantes do governo iraniano para discutir a importação de ureia, o ministro ainda defende a exoneração de fertilizantes das sanções econômicas à Rússia, frente a FAO.

O novo Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes, inicia o cargo com intenção de manter e estabelecer relações com outros países de modo a garantir o suprimento de fertilizantes, confirmando sua participação nas viagens previstas ao Marrocos, Egito e Jordânia a partir de maio.

Montes ainda recebeu representantes do governo iraniano para uma negociação do aumento da cota de importação de ureia para o Brasil, e defende, assim como a ex-ministra, a posição de fertilizantes como produtos não passíveis de sanção, considerando os desdobramentos da guerra na Ucrânia. O ministro era antigo Secretário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e entrou no cargo à convite da ex-ministra, Tereza Cristina.

Frango:

De acordo com dados do Centro de Pesquisa Avançada em Economia Aplicada (Cepea), os preços internos de todos os produtos da avicultura de corte registraram forte aumento em março. A movimentação, que se acentuou na segunda quinzena do mês, está atrelada sobretudo à maior demanda externa, devido ao conflito no leste europeu. Isso porque a Ucrânia, assim como o Brasil, é uma importante fornecedora mundial de carne de frango, e com o início dos conflitos, muitos compradores globais se voltaram ao mercado brasileiro. 

Além do incremento na demanda, os elevados custos de produção, desde os insumos consumidos na criação de pintainhos, passando pela ração, feita de milho e farelo de soja, até custos com transporte e da indústria, como combustíveis e energia elétrica, levam agentes do setor a repassar tais reajustes aos valores de venda de seus produtos, reforçando o avanço nas cotações. No entanto, vale ressaltar que, mesmo diante dos altos custos, parte dos avicultores tende a elevar a produção, atraídos pela demanda internacional aquecida.

Além disso, com a chegada do Ramadã, evento que intensifica o consumo de frango nos países islâmicos no início de abril, a tendência é de um aumento na demanda externa, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O Brasil é, atualmente, o maior exportador de carne de frango halal, e exportou 1,915 milhão de toneladas de carne de frango para o mercado islâmico em 2021, quase a metade de toda a exportação brasileira do setor, de 4,6 milhões de toneladas no ano passado. 

No primeiro bimestre de 2022, o volume de carne de frango halal já aumentou 5,17% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando 310,4 mil toneladas. 

As vendas de produtos para as 58 nações importadoras de carne de frango halal do Brasil geraram em 2021 quase US$ 3 bilhões em divisas, número que deve crescer em 2022, já que as exportações para os destinos registraram receita total no bimestre de US$ 509,7 milhões, 25% superior ao alcançado nos dois primeiros meses de 2021.

Entre estas 58 nações, os Emirados Árabes Unidos (EAU) são, desde 2020, o principal destino, e em 2021, importou 389,4 mil toneladas de carne de frango halal (equivalente a 8,7% de toda a exportação do setor), o que gerou uma receita de US$ 692,2 milhões de dólares.  

Neste ano, os EAU têm incrementado ainda mais as importações de produtos brasileiros, importando 85,7 mil toneladas no primeiro bimestre, volume 93,4% superior ao importado no mesmo período de 2021. No mês passado, o país assumiu a liderança entre os destinos das exportações brasileiras de carne de frango, superando a China, com indicadores de 42,8 mil toneladas, volume 89,9% maior que o importado no segundo mês de 2021.