Com queda na produtividade da safra, milho e soja têm alta no preço

07/Mar 2022 15:52  - Atualizado 4 meses atrás

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Tanto no mercado externo quanto o interno, os grãos e seus derivados vêm encontrando valorizações motivadas pela situação geopolítica e climática no mercado internacional

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio Grande do Sul (Emater-RS). Apesar da baixa produtividade, os trabalhos já se encontram mais avançados do que na temporada anterior, mas, ainda de acordo com a Emater, algumas lavouras já mostram sinais de danos irreparáveis, com perda na produtividade consolidada.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja recuaram com lucros devido aos desdobramentos do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que interromperam a exportação de grãos e afetaram as rotas de transporte ao longo do Mar Negro, agora considerado uma zona de guerra por transportadoras e seguradoras, que recusam contratos na região.

Houve, no entanto, um aumento na demanda mundial por óleo de soja, o que motivou a alta interna dos preços da oleaginosa, disse o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O aumento na procura foi motivado pela interrupção da exportação de óleo de girassol da Ucrânia mediante conflito com a Rússia, além da escassez de óleo de palma na Indonésia. Além disso, o renovado interesse por biodiesel, que utiliza o óleo de soja como matéria prima, impulsionou também a alta nos preços.

Como o fornecimento de óleo do maior produtor do mundo, a Argentina, ainda está incerto, consumidores se voltam para o Brasil e os Estados Unidos, com os preços do prêmio brasileiro subindo, e dando suporte para o aumento das cotações domésticas. Em São Paulo, o preço do óleo de soja subiu 5,1% entre 24 de fevereiro e 3 de março, para R$9.124,17 por tonelada, maior valor desde julho de 1998.

Milho

Já para a segunda safra de milho, o plantio chegou a 81% da área estimada para o Centro-Sul do Brasil, ante 64% na semana precedente e 54% um ano atrás. De forma geral, as condições climáticas são favoráveis, com as áreas que estavam em regime de seca desde dezembro do ano passado recebendo chuvas ao longo da última semana. 

Para a safra verão, a colheita já atinge 45% da área total do Centro-Sul, 10% a mais do que o ano anterior, com a produção total sendo estimada pela consultoria em 111 milhões de toneladas, a ser revisada novamente na primeira quinzena de março.

No Rio Grande do Sul, a colheita já atinge 60% dos cultivos, consolidando as perdas de produtividade oriundas da estiagem, com expectativa de redução chegando a 53% na produtividade estimada inicialmente.

Com a interrupção das rotas e exportação de grãos no Mar Negro, os contratos futuros de milho da Bolsa de Chicago atingiram nova máxima desde 2012, motivada pelo aumento na demanda de outros países pelos grãos dos Estados Unidos. Há, no entanto, expectativas de aumentos ainda maiores nos valores, caso o conflito persista. O plantio da próxima safra de milho ucraniana está marcado para ser iniciada em abril, e pode sofrer atrasos com o avanço das tropas russas em território estrangeiro.