Ipea corta novamente projeção de crescimento para o setor agropecuário em 2022

31/Mar 2022 15:34  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Crescimento para o setor caiu de 2,8% para 1% com quebra de safra no Sul

Em nova projeção, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reduz o crescimento do setor agropecuário, de 2,8% para 1%. Segundo o Instituto, a redução se deve pela diminuição das estimativas para a produção de soja, em queda de 8,8%, mesmo com o aumento de 3,7% da área plantada.

Para o resultado geral do Produto Interno Bruto (PIB) do país, a projeção é de alta, cerca de 1,1% para este ano. A manutenção da taxa de crescimento do PIB decorre da revisão para cima do crescimento esperado do setor de serviços, que passou de 1,3% para 1,8%, motivado pela expectativa de redução gradual dos efeitos da pandemia sobre a mobilidade urbana e as atividades econômicas.

Já para 2023, o cenário previsto é de crescimento em 1,7%. Nesse cenário, a Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac) do Ipea considerou que a taxa de juros deverá ser gradualmente reduzida a partir do início de 2023 e fechar o ano em torno de 9%, acompanhando o movimento de queda nas taxas de inflação, o que deve favorecer o mercado de crédito e os investimentos. Espera-se também que o aumento de preços de commodities seja temporário no cenário base e a taxa de câmbio fique estável, em relação ao fim de 2022, em R$5,20. Ainda mais importante, haverá menos incerteza por conta do fim dos efeitos da guerra na Ucrânia e dos efeitos mínimos da pandemia, o que deve garantir uma evolução positiva das atividades ligadas a comércio e serviços. 

No que se refere à política fiscal, este cenário pressupõe a manutenção de um arcabouço de regras fiscais compatível com o compromisso com a disciplina fiscal, mantendo sob controle o risco associado à evolução das contas públicas.

As previsões para a inflação também foram alteradas no mundo todo em função dos impactos econômicos do choque causado pelo conflito militar na Ucrânia. Mesmo diante de um comportamento mais benevolente do câmbio – com valorização de 15% no ano até agora -, a manutenção da trajetória de alta dos preços das commodities no mercado internacional, aliada ao impacto da guerra sobre os preços do petróleo e aos efeitos climáticos adversos sobre a produção doméstica de alimentos, levou a uma revisão das estimativas feitas pela Dimac/Ipea para 2022.

As projeções de inflação para 2023 indicam a manutenção dessa trajetória de desaceleração, com taxas previstas de 3,6% no próximo ano.

Milho

Em novo estudo, o Rabobank estima que a safra brasileira de milho em 2021/22 deverá alcançar 113 milhões de toneladas. A queda na projeção foi motivada pelos adventos da cultura neste ciclo, como a escassez de chuvas na região Sul, impactando negativamente a produtividade do milho verão, além de uma menor disponibilidade do milho primeira safra, os baixos estoques finais da safra 2020/21 e a alta nas exportações, que totalizaram 3,5 milhões de toneladas no primeiro bimestre de 2022. 

No Brasil, o principal fator a ser monitorado nos próximos meses é o desenvolvimento da segunda safra de milho, que ocorreu dentro da janela ideal de cultivo. Apesar disso, a possibilidade de ocorrência da La Niña pode afetar o desenvolvimento da cultura, por resultar em chuvas abaixo da média nos estados do sul. 

Para o ciclo 2022, o Rabobank estima que as exportações de milho alcancem 42 milhões de toneladas. A redução da safra de soja e a limitação dos embarques do milho ucraniano irão antecipar as exportações do cereal no Brasil, que devem iniciar em maio de 2022.

O estudo do banco holandês ainda chama atenção para dois pontos, o recuo na comercialização do milho segunda safra para a temporada 2021/22, e a área de plantio nos Estados Unidos, que devem impactar na formação de preço na Bolsa de Chicago nos próximos meses.

Combustível:

Os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovaram o congelamento de reajustes no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o óleo diesel, combustível utilizado principalmente por caminhoneiros. A medida terá validade de 12 meses, e acompanha o Projeto de Decreto Legislativo 14/2022, que concede desconto de R$0,35 por cada litro do combustível, de modo a evitar aumentos.