Expectativa da safra de milho e soja são reduzidas novamente para março

02/Mar 2022 16:31  - Atualizado 4 meses atrás

Mercado Interno Milho Soja

Previsão para a soja gira em torno de 120 milhões de toneladas, enquanto o milho segunda safra fica em torno de 84 mi

Em nova revisão para a estimativa da safra, a AgResource Brasil reduziu a produção para 119,45 milhões de toneladas, queda de 5,5 milhões de toneladas, ou 4,4%, em comparação a fevereiro. A redução se deu após a verificação nas áreas produtoras do Mato Grosso, que apresentaram resultados abaixo do esperado, podendo atingir uma produção de 37,768 milhões de toneladas de soja no estado, meio milhão abaixo das expectativas. As perdas no Paraná e Rio Grande do Sul ainda estão sendo contabilizadas.

A StoneX Brasil também fez novo corte na estimativa de safra de soja, prevendo cerca de 121 milhões de toneladas do grão, 4,2% abaixo do calculado em fevereiro. Com a quebra de safra no sul, e desempenho do Mato Grosso abaixo do antecipado, especialistas se preocupam, agora, com o desempenho de Minas Gerais.

Já foram colhidos cerca de 44% de toda a soja plantada para a safra atual, disse a AgRural em relatório na sexta-feira de carnaval. O Estado do Mato Grosso, no entanto, segue na frente, tendo concluído cerca de 79% da colheita.

A soja atingiu alta histórica nos últimos dias de fevereiro, atingindo a casa dos R$200 a saca na quinta-feira, 24/02, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O preço caiu na sexta-feira seguinte, de forma tímida, mas a instabilidade do mercado e demandas internas e externas aquecem o mercado em uma competição acirrada. Os preços do grão e seus derivados sobem, em especial nos contratos futuros, tanto no mercado nacional quanto no mercado internacional. Os volumes exportados para os Estados Unidos já caíram cerca de 30%, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), totalizando 735 mil toneladas. O mesmo relatório aponta também queda da exportação de milho para o país norte-americano, totalizando 1,5 milhão de toneladas, 2% a menos do mês anterior. A tendência é que os preços valorizem a cada novo desdobramento.

Perspectivas para o milho

Já em relação ao milho, a AgResource Brasil também reduziu as expectativas da segunda safra, que saiu de 85,13 milhões de toneladas para 84,28 milhões de toneladas, motivada pela insistência do La Niña na região Centro-Sul do Brasil, que pode gerar perda de rendimento.

No Mato Grosso, o plantio do milho já está quase concluído, mas as áreas correm risco de perda significativa na produtividade devido à falta de chuvas, diz o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Até a sexta-feira de carnaval, 25/02, cerca de 83% da área delimitada para plantio já havia sido concluída.

Segundo informações do Cepea, apesar das valorizações externas, os preços do milho permanecem estáveis no Brasil na semana passada. Compradores se mantiveram afastados do mercado, e vendedores seguiram concentrados nas atividades de campo, seja na colheita da safra verão ou na semeadura da segunda safra. Na sexta-feira,  dia 25/02, o grão fechou a R $97,34/sc de 60 kg.

Apesar das altas consecutivas no preço do milho, avicultores de todo o Brasil se encontram em um momento de alívio, já que o mês de fevereiro apresentou valorização do ovo, atingindo o maior poder de compra, relação de troca entre uma determinada quantidade de ovos pelo milho, utilizado na alimentação, em 12 meses. Suinocultores já haviam apresentado cenário similar na semana anterior.