Entenda como a inflação pode afetar o agronegócio

11/Apr 2022 16:57  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Indicador reflete no poder de compra da população, níveis de rentabilidade da exportação e no agronegócio, de forma geral

Não é segredo que os preços praticados pelo agronegócio dependem de uma série de fatores  econômicos, nacionais, internacionais e de mercado, além dos preços de combustível, fretes, clima, fertilizantes e outros insumos agrícolas. Neste contexto, a compreensão geral dos preços, e como estes fatores afetam o mercado agro no Brasil, pode ser um assunto de grande complexidade.

Entre os fatores econômicos mais importantes para o estabelecimento de preços está a inflação, indicativo da situação econômica do país, sendo refletida nos preços de produtos e serviços consumidos no dia-a-dia. 

Mas, o que é Inflação?

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação é classificada como a variação mensal de preços de uma cesta de produtos e serviços, como alimentos e combustível, e seu peso no orçamento familiar médio. A inflação é calculada, especialmente, a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), verificando a variação do custo de vida médio da população que ganha entre um e 40 salários mínimos, e analisa o aumento ou diminuição do poder de compra da população frente à moeda local.

De forma simples, a inflação aumenta ou diminui à medida que a oferta de produtos e serviços se altera, a exemplo da lei da oferta e da demanda. Quando os gastos do governo são superiores à sua arrecadação, ou há a possibilidade de menor oferta de um determinado produto, como foi o caso dos alimentos e combustível após os desenvolvimentos do conflito no leste europeu, com as instabilidades de suprimento nos mercados de petróleo e fertilizantes, o aumento no preço é repassado para o consumidor. 

Caso o salário do consumidor não acompanhe o aumento nos custos, o poder de compra da população geral cai. Para evitar que a inflação aumente a níveis fora de controle, o governo federal é responsável por estruturar iniciativas de ajuste, como aumento das taxas de juros, redução das exportações, e aumento da capacidade produtiva. 

Reflexos da inflação no agronegócio

No fim de 2021, o IPCA fechou em 10,06%, sendo o maior valor desde 2015, e superando o teto da meta, que era de 5,25%. Já o Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro cresceu 8,36% no mesmo ano, representando mais de 27% do PIB brasileiro em 2021, e as exportações atingiram o valor recorde de US$10,5 bilhões. O aumento foi motivado pela alta nos preços dos alimentos, e mercados correlatos, como de fertilizantes, e a expectativa é que o ano de 2022 mantenha, embora timidamente, este aumento. No entanto, o bom desempenho das exportações e os altos preços não implicam, necessariamente, no lucro dos produtores e atores do mercado agro brasileiro.

De forma mais geral, a inflação implica em uma menor valorização do real frente ao dólar, aumentando os custos de produção, o que contribui para um maior aumento da inflação. Se a inflação estiver muito elevada, investidores perdem interesse em investir no setor produtivo, e no Brasil, no geral, o que pode estagnar o crescimento econômico no país. 

Além disso, o aumento considerável nos custos de produção, embora rendem maiores lucros obtidos com as exportações, são absorvidos pela alta na variação dos preços, dado a grande dependência do país em relação aos produtos importados. Assim, o lucro não é retido pelo setor, mas troca de mãos até chegar nos países vendedores.