Custos de plantio da soja sobem no Mato Grosso, ultrapassando R$6 mil/ha

18/Mar 2022 16:06  - Atualizado 4 meses atrás

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O aumento dos gastos foi de 45%, motivados pelo aumento dos preços dos grãos, fertilizantes e defensivos agrícolas

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Aplicada (Imea), os gastos do produtor com o plantio da soja no estado aumentaram em 44,8% quando comparado ao mesmo período do ano passado. Os custos passaram de R$4.357,16 para R$6.311,59 por hectare, sem considerar custos de oportunidade da terra, capital circulante, benfeitorias ou gastos com máquinas ou implementos agrícolas, que fazem o valor saltar de R$5.187,93 para R$7.286,91 por hectare.

Além da alta dos custos das sementes e defensivos, o fator que mais pesou no bolso do produtor foi o aumento do custo dos fertilizantes e adubos, que subiram mais de 100%.

Produção de soja:

Em nova estimativa, a Agroconsult cortou a produção de soja brasileira mais uma vez, totalizando, agora, 124,6 milhões de toneladas. O corte de quase um milhão de toneladas foi divulgado após a análise de campo pelo Rally da Safra, que estima produtividade brasileira em aproximadamente 51 sacas por hectare, queda de 14% frente à safra anterior.

Além do período de estiagem estendida nos estados do sul e Mato Grosso do Sul, a produção teve queda no terço final do Mato Grosso, devido ao excesso de chuvas. Apesar disso, a produtividade da soja no estado deve alcançar 60,7 sacas por hectare, alta de 4,8% sobre o ciclo anterior – contribuindo para amenizar as perdas em outros locais.

Para o milho, a consultoria manteve os números para a segunda safra em 92,2 milhões de toneladas.

No Rio Grande do Sul, a colheita de soja já atingiu 9% da área cultivada, avanço de 3 pontos percentuais quando comparado à semana passada, mas ainda atrás da média histórica para o período, informou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado do Rio Grande do Sul (Emater-RS). Apesar de estar abaixo da média histórica, de 14%, o avanço já é maior do que no mesmo período no ano anterior, de 6%. De acordo com a Emater, o avanço da colheita foi prejudicado pelo regime de precipitações do estado, que forçou os produtores a colher de forma mais precoce. Com o novo regime de chuvas e maior umidade do solo, a Emater ainda alerta sobre o maior risco de proliferação de doenças e problemas fitossanitários, em especial a ferrugem asiática, com esporos identificados na metade sul do estado.

Já para o milho, o estado acumula cerca de 68% da colheita realizada, e avança consideravelmente, quando comparado à safra passada e à média histórica, que totalizam 61% e 56% das áreas, respectivamente. Segundo a Emater, o bom avanço do grão se deu pela maior ocorrência de chuvas.

No Paraná, o volume total de quebra de safra da soja deve atingir 9,4 milhões de toneladas, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab). Desta forma, passa da estimativa inicial de 21,06 milhões de toneladas para 11,63 milhões de toneladas, a menor produção dos últimos dez anos. A quebra representa prejuízo de R$30 bilhões, e no oeste do estado, a redução chega a 76% da produção total.

Área de Plantio – Soja

Com os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia, aumento da Taxa Selic, congelamento da modalidade de crédito rural do Plano Safra e aumento nos valores dos fertilizantes e combustíveis, a intenção de plantio da soja pode sofrer reduções para a próxima safra. Tantos fatores tornam o risco para investimentos no aumento da área de plantio muito incerto.

A estimativa de aumento anterior, de um milhão de novos hectares em relação à safra atual, foi cortada pela metade, totalizando 500 mil hectares, com concentração do crescimento no Cerrado, enquanto as áreas mais afetadas pela estiagem no sul podem não ver alteração.