Crédito Rural desembolsou R$209 bi, e dívidas sobem 103% frente a 2021

14/Apr 2022 15:09  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Dados foram liberados pelo Ministério da Economia e Banco Central

De acordo com dados liberados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), ao longo dos nove meses da safra 2021/2022, os desembolsos do crédito rural atingiram R$209,1 bilhões distribuídos em 1.409 mil contratos, representando um crescimento de 25% em comparação com o mesmo período da safra passada.

Desse total, R$110,5 bilhões foram direcionados para o custeio, R$60,7 bilhões para investimentos, R$25,1 bilhões foram para a comercialização e R$12,8 bilhões para a industrialização.

Houve um aumento no valor do crédito em todas as regiões do país, com destaque para a Região Norte, pela elevação tanto no número de contratos quanto no valor, sendo o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e a Poupança Rural Controlada as principais fontes de recursos utilizados. No agregado, as fontes de recursos mais representativas foram Poupança Rural Controlada, com R$47,4 bilhões, Recursos Obrigatórios, R$44,4 bilhões, LCA, com R$33,7 bilhões, e Poupança Livre, com R$31,0 bilhões. 

Os valores, que representam 75% de participação do total liberado pelas Instituições Financeiras aos produtores rurais, fazem parte do Balanço de Desempenho do Crédito Rural, divulgado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do MAPA.

Os investimentos sem vinculação a programas específicos superaram a programação inicial de recursos, principalmente com a suspensão da contratação de créditos do Plano Safra. A procura por fontes não equalizadas materializou-se como a alternativa para a continuidade dos financiamentos.

Apesar dessa interrupção, ainda foram registradas algumas liberações de recursos nesse período, provavelmente oriunda de operações iniciadas e aprovadas antes dessa determinação. Como alternativa de apoio, os produtores podem recorrer aos financiamentos com recursos não equalizados, aí incluídos os realizados com os recursos obrigatórios, como os dos fundos constitucionais de financiamento e com os recursos livres. 

Dívidas:

A pedido da Revista Globo Rural, o Banco Central (BC) fez um levantamento sobre as dívidas de crédito rural, sendo liberado, na íntegra, pela revista. O documento analisa o comportamento das dívidas oriundas do crédito rural. 

As dívidas com atraso acima de 90 dias somavam R$2,624 bilhões em fevereiro de 2022, uma alta de 103% em comparação aos R$1,292 bilhão de dívidas no mesmo mês de 2021. Essas dívidas em atraso representam 4,7% dos contratos e 0,6% do total do saldo devedor registrado pelo BC. 

Enquanto os agricultores familiares elevaram esse tipo de dívida em 76%, de R$820 milhões em 2021 para R$1,447 bilhão em 2022, a agricultura empresarial aumentou o calote de R$472 milhões para R$1,176 bilhão, uma alta de 149%.

Apesar da soma das dívidas ter aumentado, o percentual de produtores inadimplentes caiu de 1,71% em janeiro de 2021 para 1,09% em janeiro de 2022, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com base em informações do BC. 

Os produtores que mais sofrem para pagar suas dívidas são aqueles que destinam grande parte de sua produção para o mercado interno, pois estão expostos aos altos custos dos insumos importados sem conseguirem necessariamente repassar o que foi gasto na produção diante da perda de poder aquisitivo da população.

No dia 31 de março, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o rendimento do brasileiro foi de R$2,511 mil no trimestre encerrado em fevereiro, uma queda de 8,8% em relação ao mesmo período de 2021, em uma conjunção de mercado de trabalho desaquecido e inflação acelerada.

Entre os produtores que mais têm tido dificuldade em pagar as dívidas, se encontram os avicultores, suinocultores e produtores que transformam grãos em ração. O aumento expressivo nos preços do milho e da soja, aliado à alta disponibilidade de proteínas no mercado interno coloca os produtores em situação de prejuízo.