Conflito Ucraniano interrompe venda da Fábrica de Fertilizantes da Petrobrás

04/Mar 2022 16:17  - Atualizado 4 meses atrás

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Com sanções a empresas russas, a Acron, compradora da Unidade, fica impossibilitada de acessar recursos financeiros para realizar a aquisição

Frente aos desdobramentos da guerra na Ucrânia, a venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras encontra novos entraves, que irão atrasar a negociação. Apesar da conclusão da venda não estar prevista para um futuro próximo, a guerra pausa, indefinidamente, qualquer chance de progresso. A unidade seria vendida para a Acron, empresa russa de fertilizantes.

Com as sanções econômicas à Rússia e impedimento de acesso às reservas e ativos, a Acron já não conta com caixa disponível para executar a compra da unidade. Mesmo sem expectativas de conclusão nas próximas semanas, ambas as partes demonstraram interesse em uma conclusão rápida, de modo a se acelerar o início das operações da unidade, que seria capaz de produzir cerca de 3,6 mil toneladas de uréia e 2,2 mil toneladas de amônia por dia.

A fábrica foi idealizada a partir do uso do gás do pré-sal como matéria prima e o desenvolvimento nacional de fertilizantes, mas com a nova gestão da Petrobrás em 2014, a estatal passou a liquidar todos os ativos não relacionados à exploração, produção e refino de petróleo e gás.

Mercado de Fertilizantes:

Em dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), as importações de fertilizantes do Brasil envolveram US$1,62 bilhão em fevereiro, totalizando 2,94 milhões de toneladas do insumo, e apresentando alta de 128,9% no preço médio.

Após anúncio da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda) sobre atual situação de fertilizantes no país, contrariando previsão anunciada pela Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) responde, afirmando que a estimativa dos fertilizantes durarem até outubro considera não apenas os estoques disponíveis no país, mas também os contratos futuros e importações a serem realizadas pelo Brasil. 

Em live com o presidente Bolsonaro, a ministra da Agricultura Tereza Cristina descartou toda e qualquer possibilidade de se importar fertilizantes russos enquanto houver na Ucrânia, devido às complicações de transporte e logística do Mar Negro, localização dos principais portos russos, agora um dos focos da zona de conflito. Ministra afirma que as necessidades de uréia vão ser supridas pelo acordo comercial com o Irã, e reitera plano de desenvolvimento nacional para produção de fertilizantes.

Segundo Teresa Cristina, o plano trará um diagnóstico sobre a oferta de fertilizantes no Brasil e poderá ter como resultado propostas legislativas para facilitar a produção de fertilizantes no país, como regras de licenciamento ambiental para exploração de jazidas e até permissão para extração dos minerais em terras indígenas.

Mercado do Milho:

Com o início da colheita de milho verão no sul, as estimativas de quebra de safra se concretizam, com prejuízo podendo chegar a 50% nos três estados da região. Assim, o déficit regional deve ultrapassar 9 milhões de toneladas. A região produtora, antes conhecida como exportadora de grãos, deve passar a ser compradora, consumindo praticamente o dobro de sua produção normal para atender às demandas internas pelo grão.

A estimativa para a safra verão recuou de 27,9 para 22,6 milhões de toneladas, com as maiores perdas concentradas na região sul, segundo relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Céleres/Abramilho), com possibilidade de nova revisão a depender das condições climáticas nas próximas semanas. Para outros estados, a expectativa é de aumento de volume, e pode ajudar a recompor o estoque do cereal para a alimentação de bovinos, suínos e aves. 

O Mato Grosso do Sul deve fornecer um volume extra de 2 milhões de toneladas do cereal para os dois estados, além de 1 milhão de toneladas a mais de Goiás e meio milhão de toneladas do Mato Grosso e Minas Gerais. Enquanto isso, o país deve importar mais grãos para recompor as perdas causadas pela quebra de safra, com a maior parte do milho sendo de origem argentina.