Como funciona o RISCO DE CONTRAPARTE no trading agrícola?

10/Mar 2022 18:23  - Atualizado 4 meses atrás

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Para começar, é importante a gente trazer uma visãi geral sobre Risco de Contraparte, citar alguns exemplos e formas de analisar este risco.

O que é o risco de contraparte?

O risco de contraparte é o risco de não cumprimento de um contrato por alguma das partes envolvidas nele. Ele está presente em qualquer relação ou contrato que envolva mais de uma parte, seja ela pessoa física ou jurídica. No caso do agronegócio, estaríamos falando não necessariamente de uma pessoa jurídica, porque muitos usam CPF, mas entre duas empresas, como por exemplo: uma revenda com um produtor, um cerealista com uma revenda, um comprador direto com o produtor. 

O risco de contraparte é o risco de não cumprimento de um contrato por ambas as partes.

No agro temos como exemplo os contratos de crédito, de venda de produto físico, de barter ou outros tipos de acordos e títulos como as CPR´s. 

Risco de Contraparte na prática

Agora que a gente já sabe o que é risco de contraparte, vou dar alguns exemplos desse risco na prática. 

O primeiro exemplo é washout

Isso aconteceu muito recentemente com a subida da soja, do milho e de outras commodities.  

As cotações elevadas fizeram com que os produtores, por exemplo, não honrassem seus contratos a termo de trocas (ou venda direta) porque eles estavam procurando uma relação de troca melhor ou até mesmo conseguir mais dinheiro do que o que ele tinha acertado na hora em que assumiu o acordo. Isso porquê eles foram acertados em um momento em que o valor da saca do grão estava significantemente mais baixo. 

Então, neste período, houve um aumento expressivo no volume de contratos a termo tomando washout. Que é, basicamente, o não cumprimento de entrega do grão conforme combinado. Esse risco se torna potencialmente maior quando estamos em um momento de alta volatilidade do mercado. 

O movimento pode acontecer de forma inversa também, uma vez que em casos que a commodity se desvaloriza, o comprador tende a não cumprir seus compromissos para obter preços melhores no mercado à vista.

Risco Default

Quando observa-se os casos envolvendo CPR´s temos riscos envolvidos da não entrega do produto ou pagamento do montante devido, também chamado de risco de Default. Afinal, é um título de crédito, seja com produto físico ou financeiro. Ele é potencialmente afetado por mudanças climáticas que podem influenciar na capacidade produtiva da fazenda.

Do ponto de vista do produtor, um outro exemplo seria o risco de não pagamento de uma venda que foi feita com prazo (também pode-se enquadrar como Default). Ou a rejeição da entrega por parte do comprador, mesmo ela estando da forma que foi contratada.

Esses são alguns dos riscos que envolvem a transação de grãos e, no caso do agro, são riscos que envolvem custos transacionais muito grandes para se lidar depois.

Por isso é tão importante conseguir identificar, avaliar e mitigar os riscos de contraparte.

Análises de Risco de Contraparte

Agora falando da análise do risco, a gente pode dividir o risco de contraparte em alguns aspectos:

  • Compliance Fiscal: Diz respeito ao compromisso da empresa ou pessoa com o governo. Se os pagamentos de tributos estão em dia.
  • Compliance Ambiental: Avaliar junto aos órgãos competentes a situação de respeito à legislação ambiental.
  • Compliance Trabalhista: Avaliar junto aos órgãos competentes a situação de respeito à legislação trabalhista.
  • Histórico Judicial: Avaliação do histórico processual da parte.
  • Análise de Crédito: Junto a bureaus de crédito avaliar o credit rating score e probabilidade de inadimplência. Serasa, boavista…
  • Análise de capacidade de produção e fluxos: Análise patrimonial e estimativa de produção/ consumo com o que será acordado no contrato. Comparativo com valores já alienados em outros contratos.

A ideia é que a gente utilize esses aspectos para poder ponderar esse risco, mesmo que no final exista um olhar subjetivo sobre o tema. É claro que a gente depende da disponibilidade de informações. Essa é uma peça chave para a gente conseguir fazer essa mensuração de risco.