Commodities: Diferença entre preço físico e da Bolsa de Valores

14/Apr 2022 17:41  - Atualizado 3 meses atrás

Comercialização

Entender as diferenças e similaridades entre o preço físico e o praticado na Bolsa de Mercadorias Futuras é um importante passo para fazer uma negociação de milho lucrativa e eficiente

A primeira coisa que precisamos saber para começar uma análise de preços do mercado físico e da Bolsa de Valores são os dois principais tipos de negociação de commodities: as negociações Spot e A Termo.

A negociação Spot é aquela cujo produto está disponível para resgate imediato. Ou seja, eu faço a compra de uma commodity, como por exemplo o milho, e posso fazer o resgate e utilizar esse produto no mesmo momento.

Já uma compra A Termo se refere a uma compra de disponibilização futura. Ou seja, eu faço a compra agora para resgatar mais pra frente. Com isso eu consigo pagar um valor menor por um produto que eu vou necessitar no futuro.

O que são Contratos Futuros

As commodities negociadas na bolsa se assemelham bastante a uma negociação a termo. Elas são contratos futuros de uma commodity. Elas me dão direito de resgate daquela quantidade que eu possuo na data de expiração do contrato.

Por exemplo, um contrato referente a julho do ano de 2022 só vai poder ser resgatado na data de expiração acordada. Ao longo do período, desde a compra até o resgate, esse contrato vai oscilando de valor. Ele é uma estimativa do preço que valerá aquela commodity na data de referência, isso associado ao risco da compra antecipada. Por isso, muitas vezes, esses preços se diferem de forma drástica dos preços negociados no mercado físico. Porque eu estou fazendo uma compra antecipada junto de um risco referente ao possível preço futuro.

Os contratos negociados em bolsas tendem a ter datas cada vez mais distantes, podendo ter datas de até dois a três anos de antecedência da data de referência atual. Contudo, o preço do contrato mais recente tende a ser sempre mais aproximado do preço negociado no mercado físico.

Preço da Bolsa de Valores como referência para o mercado físico

Boa parte dos negociadores, tanto compradores quanto vendedores, se utilizam do preço negociado em bolsa para ter como referência o preço que vai ser colocado sobre o produto. Seja ele para compra ou seja para venda. A relação entre esses dois é extremamente intrínseca na negociação do mercado. Principalmente quando falamos de exportação e mercados internacionais. Ela é uma base muito relevante na hora precificar e ter como referência o comportamento do mercado.

Contudo, na hora de avaliar o preço físico, existem outros fatores que vão influenciar na hora da negociação. Cada cidade ou região do país tem um preço específico para seu local, fazendo com que o preço físico varie muito. Por exemplo, no Mato Grosso e em toda a região centro-oeste tendem a praticar preços consideravelmente menores do que os da região sudeste ou sul, pois eles representam dois pólos diferentes. Um é polo produtor e o outro é um pólo comprador.

Análise de Basis

Uma forma da gente analisar bem a relação entre os preços negociados em bolsa e os preços do mercado físico é utilizando uma análise que chamamos de basis. Ela nada mais é do que a diferença entre o preço do mercado físico e o preço negociado em bolsa. Essa diferença me dá a relação entre o preço da cidade e o meu comportamento do mercado como um todo. Se eu tenho um basis alto significa que eu tenho uma tendência maior de um preço acima do mercado, ou seja, minha tendência atual naquele mercado físico é de uma especulação alta.

É muito comum observar essa curva de basis variar ao longo do ano de forma sazonal, junto da entressafra até o início do novo plantio. É corriqueiro observar o basis subir e descer ao longo do ano, de acordo com o momento que estamos na safra.

O basis é uma uma ferramenta extremamente útil para mais uma análise que pode ser feita, que é o descobrimento do preço Spot local. Esse preço varia de cidade para cidade e tem um comportamento muito peculiar em cada região. Contudo, existem ferramentas e métodos de análise que nos permitem estimar o preço aproximado. O preço do mercado físico está diretamente associado a alguns fatores, como a posição geográfica, como eu já citei anteriormente, momentos do ano – como a época de plantio e a colheita -, como também o clima, com chuva em excesso ou períodos de seca.

Com todas essas análises é possível fazer a estimativa do preço do mercado físico usando como referência o preço negociado em bolsa. Esse preço tem um outro aspecto importante. Que é o fato dele ter como base de referência os indicadores de análise de mercado. O preço utilizado na B3 usa como base o valor da Esalq da USP, que faz uma estimativa do preço no Brasil de uma commodity, como por exemplo, o preço do milho.

Para finalizar, é importante dizer que a análise desses dados é importante não só para a negociação em si, como também para entender o comportamento do mercado como um todo. Com eles a gente descobre se ele está aquecido, se está fraco, e também a entender as peculiaridades de cada região.