Comercialização antecipada da soja e milho avançam a passos lentos

15/Mar 2022 15:16  - Atualizado 4 meses atrás

Ferilizantes Milho Soja

Desempenho segue abaixo do ano anterior e preocupa especialistas

De forma geral, a comercialização da safra de soja 2021/22 no Brasil atingiu 46% da produção esperada para a temporada, fluxo abaixo do registrado em anos anteriores, enquanto as vendas antecipadas atingem quase 5%, disse a Datagro. Segundo o levantamento, o índice para 2021/22 é inferior ao recorde de 62,6% registrado no mesmo período do ano anterior para a safra passada, e está abaixo da média histórica de 50,4%.

Apesar da melhora considerável nos negócios em fevereiro quando comparado a janeiro deste ano, o volume de produção negociado segue abaixo do atingido na temporada passada, com diferença na produção de quase 30 milhões de toneladas da oleaginosa, com 58,76 e 86,27 milhões de toneladas para 2022 e 2021, respectivamente.

Para a próxima temporada, que será plantada a partir de setembro deste ano, as vendas antecipadas chegaram a 4,9% da produção estimada da oleaginosa, avanço de 1,1 ponto porcentual na comparação com a análise anterior.

De acordo com a Datagro, este fluxo também está aquém dos 5,2% da média dos últimos cinco anos e fica abaixo do recorde de 11% ocorrido em igual momento de 2021, referente a vendas de 2021/22.

Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a comercialização antecipada de soja e milho no estado do Mato Grosso para a próxima safra, de 2022/23, avança de forma menos expressiva, desde fevereiro. Entre os motivos, estão as incertezas sobre a oferta de fertilizantes e outros insumos agrícolas e sua alta expressiva nos preços, devido ao conflito entre Rússia e Ucrânia, que perdura  há mais de duas semanas. 

Para a soja, as vendas antecipadas atingiram 16,28% da produção esperada, comparado aos 23,51% do mesmo período para a safra anterior. 

Para a safra atual, de 2021/22, a comercialização de soja mato-grossense alcançou 61,33% da produção esperada, ainda atrás do registrado em anos anteriores, informou o Imea.

No mesmo período do ano passado, as vendas do estado giravam em torno de 75,12%. 

Milho

As vendas do milho da safra de verão 2021/22 no centro-sul do Brasil chegaram a 20,4% da produção esperada, contra 12,7% no levantamento anterior.

Um ano antes, as vendas antecipadas estavam em 32,5% e a média histórica para o período é de 23,7%, mostraram os dados.

Ainda de acordo com a Datagro, até o dia 4 de março, 33,1% da segunda safra de milho de 2022 estava negociada pelos produtores do centro-sul, ante 28,5% no mês passado. A média histórica para o período é de 31,7%.

Já no Mato Grosso, a comercialização antecipada atingiu 6,51% da produção esperada para 2022/23, que, no ciclo anterior já atingia 12,67% no estado. As vendas do grão chegaram a 50,79% da produção esperada para 2021/22, 20% abaixo dos 70,89% levantados no mesmo período do ano anterior.

Fertilizantes

Em seu 6º Levantamento da Safra de Grãos 21/22, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou um panorama sobre o peso dos fertilizantes no custo de produção de soja, milho e trigo, que hoje fica em uma margem que varia entre 30% e 40%, a depender da região produtora e do produto em análise. Para o milho 2ª safra, o peso destes insumos chega a 33% em Sorriso (MT), e no cultivo de soja o percentual de participação dos fertilizantes atinge um índice de 37% no mesmo.

A preocupação é que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia prejudique o fornecimento do insumo, aumentando o custo da produção e, consequentemente, os preços ao consumidor. Os dados contemplam os preços praticados até fevereiro deste ano.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), cerca de 22% dos fertilizantes importados no último ano tiveram como origem a Rússia, seguido da China, com 15%, e o Canadá com 10%.
Segundo a StoneX, o mercado de fertilizantes se estabilizou frente às altas históricas desencadeadas pelo conflito no leste europeu. Embora a situação do mercado atual seja delicada, com tendência dos preços altos se manterem, o risco estará mais voltado para a abertura de novas áreas, dado que nas áreas em que já existe plantio, a aplicação dos insumos pode ser reduzida.