Colheita de soja atinge 94% no Brasil, e BC prevê novo aumento na inflação

02/May 2022 16:48  - Atualizado 2 meses atrás

Mercado Interno

Previsões para a previsão se aproximam de 8%, enquanto a taxa Selic permanece em 13,25%

Em novo levantamento, a Safras & Mercado aponta a colheita de soja no Brasil em 93,8% da área plantada, apresentando um atraso de 1,3% frente ao mesmo período do ano passado, e 2,4% da média dos últimos 5 anos. O estado com a maior defasagem entre os números registrados no ano passado e neste segue sendo o Rio Grande do Sul, que nesta época de 2021 tinha 81% dos grãos colhidos, e agora soma apenas 69%, seguido pelo Maranhão, com 88%. 

Na direção oposta, estão os estados do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, que já concluíram os trabalhos de colheita.

Inflação:

Em boletim semanal, o Banco Central (BC) elevou de 4% para 4,10% a previsão para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2023, enquanto que, para 2022, as previsões passaram de 7,65% para 7,89%. 

O crescimento do PIB para 2022 saiu de 0,65% para 0,7%, mas para o ano seguinte, de 2023, o BC manteve a previsão em 1%. Já a taxa Selic, a taxa básica de juros se manteve estável, em 13,25% para 2022, enquanto que para 2023, foi elevada de 9% para 9,25%.

Combustíveis:

Após uma semana estável, a defasagem da gasolina em relação ao mercado internacional voltou a subir no Brasil, enquanto a do diesel subiu ainda mais no fim do mês de abril, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Quando comparado com o praticado no Golfo do México, o diesel no Brasil está defasado em 27%, enquanto a gasolina chega a 11%.

A diferença de preços se dá pela instabilidade do câmbio do petróleo e do dólar, além dos custos de importação, que permanecem em alta. O Brasil importa 25% do diesel consumido no mercado interno e cerca de 3% da gasolina. 

Soja:

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta alteração nas cotações de soja, com as demandas de indústrias domésticas e de importadores estando mais aquecidas no Brasil nos últimos dias, cenário que impulsionou os preços internos, apesar da desvalorização internacional. 

A apreciação do dólar frente ao real foi outro fator de sustentação às cotações domésticas. Segundo colaboradores do Cepea, no geral, os vendedores estavam mais ativos no mercado, diante dos vencimentos de custeio. Contudo, uma parcela de sojicultores segue retraída, à espera de novos avanços dos valores nos próximos meses, para quando a paridade de exportação indica preços maiores frente aos observados no spot nacional atualmente. Entre 22 e 29 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ – Paraná subiu 1,38%, fechando a R$195,24/saca de 60 kg na sexta-feira, 29. Para Paranaguá (PR), o avanço foi de 2,43%, a R$191,16/sc de 60 kg na sexta.

Milho:

Já para o milho, o Cepea aguarda por possíveis valorizações. Os agentes do setor brasileiro de milho seguem atentos ao clima desfavorável à semeadura nos Estados Unidos e ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra no Brasil, contexto que vem limitando a liquidez no spot nacional. Segundo colaboradores do Cepea, parte dos consumidores relata ter estoques confortáveis, enquanto vendedores analisam a necessidade de realização de “caixa” e/ou de liberar espaços nos armazéns. 

Nos EUA, desde o início da temporada, as baixas temperaturas têm atrapalhado a semeadura, que está em ritmo lento frente ao esperado pelo mercado e também na comparação com o ano anterior. Por enquanto, a produção norte-americana é estimada pelo USDA em 383,94 milhões de toneladas, e caso a produtividade caia, diante de previsões de clima frio e úmido, a demanda pelo milho brasileiro pode crescer. 

Vale lembrar que outros importantes fornecedores do cereal, como Ucrânia e Argentina, também enfrentam problemas na atual temporada. Na Ucrânia, além das interrupções dos embarques pelo Mar Negro, a semeadura prevista para abril e maio pode não acontecer da maneira ideal, devido às dificuldades no transporte de insumos. Na Argentina, a Bolsa de Cereales estima que serão produzidas 49 milhões de toneladas em 2021/22, 3,5 milhões de toneladas a menos que na temporada anterior. 

No Brasil, a semeadura da segunda safra foi finalizada, e o desenvolvimento das lavouras está satisfatório na maior parte das regiões. No entanto, produtores de algumas praças do Centro-Oeste estão em alerta, visto que não chove há mais de duas semanas na região.

Ovos:

As cotações dos ovos comerciais recuaram na última semana de abril. Segundo colaboradores do Cepea, o ritmo de vendas diminuiu, devido à proximidade do fim do mês, o que é típico para o período. Assim, os vendedores passaram a reduzir os preços pedidos, com o objetivo de garantir a liquidez e evitar sobras. 

No entanto, mesmo com a recente desvalorização, os preços médios de abril atingiram patamares recordes nominais na série histórica do Cepea em todas as regiões acompanhadas, sustentados pelas intensas valorizações na primeira quinzena do mês. Em Bastos (SP), o preço médio da caixa de ovos brancos fechou a R$148,55 na parcial de abril, até o dia 28, 2% acima da média de março, 17,2% superior à de abril/21 e a maior, em termos nominais, da série histórica do Cepea, iniciada em 2013.