Colheita de soja atinge 76% do total, e novas projeções para a safra surgem

28/Mar 2022 15:46  - Atualizado 3 meses atrás

Mercado Interno

Abiove projeta a safra atual para 125 milhões de toneladas

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) reduziu a projeção da safra atual de soja para 125,3 milhões de toneladas, representando queda de 7,7% em comparação com a estimativa anterior, em janeiro, de 135,8 milhões de t.

Segundo a entidade, o corte leva em consideração as perdas decorrentes dos problemas climáticos que afetaram algumas regiões do país. Apesar do corte, a expectativa para o processamento de grãos se mantém inalterada.

A Abiove concluiu as estatísticas de 2021 para a soja, confirmando a colheita de 138,9 milhões de toneladas de soja, a maior safra da história, que resultou em recordes de 86,1 milhões de toneladas exportadas e em 47,8 milhões de toneladas processadas.

Safra 2021/22

De acordo com a Safras & Mercado, a colheita da safra de soja 2021/22 do Brasil está em 76,4% da área total esperada, apresentando um avanço de 6,5% em relação à semana anterior, e 9,5% acima da temporada passada.

No Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, os trabalhos já estão praticamente finalizados, enquanto que no Matopiba, Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, as colheitas seguem em estágio muito à frente do que o registrado em 2021, com o Piauí se sobressaindo a partir do aumento comparativo de 52%.

No lado negativo, apenas São Paulo e Santa Catarina, com 85% e 36%, respectivamente, possuem evolução inferior à que era registrada no mesmo período de 2021, quando o estado paulista contava com 87% da área colhida e o catarinense com 42%.

Custo de Produção do Milho:

O custo de produção da safra 2022 de milho no Mato Grosso do Sul, apresentou nova alta em março, alcançando a marca de R$8.220,80 de investimento, para cada hectare plantado pelo agricultor do estado. De acordo com a análise do departamento de economia da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), houve uma alta de aproximadamente 150%, comparado com o preço da safra passada 2020/21.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o milho volta a operar abaixo dos R$100, ficando em torno de R$96 na região de Campinas. A redução é justificada pela redução na demanda, motivada pela proximidade da colheita da segunda safra. Para a soja, o complexo no Paraná recua, atingindo R$193 a saca de 60 kg.

Exportações:

A movimentação de produtos agropecuários nos portos brasileiros cresceu 30% em janeiro, movimentando 16,490 milhões de toneladas de cargas, de acordo com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A soja responde por 22% do total, com 3,494 milhões de toneladas movimentadas no primeiro mês deste ano. Já em fevereiro, mais de 5 milhões de toneladas de produtos agropecuários passaram pelo terminal do Paraná, com 70% sendo soja, milho e cereais exportados. De acordo com a direção de operações do porto, o segmento puxou a alta das exportações e a quebra da safra  não afetou a movimentação portuária.

Os portos do Rio Grande do Sul registraram neste ano o melhor primeiro bimestre de sua história, com 6.233.998 toneladas movimentadas, segundo a Superintendência da Portos RS. Os dados consideram os portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além dos terminais existentes no complexo portuário de Rio Grande.

Conforme a empresa, os destaques foram soja e trigo, que aumentaram, respectivamente, 395,95% e 139% em relação ao mesmo período do ano passado. Na sequência está o cloreto de potássio, cuja movimentação cresceu 134,59%, e o arroz, com variação positiva de 99,89%.

Os destinos das cargas exportadas pelo porto do Rio Grande são a China, a Arábia Saudita, a Indonésia, Marrocos, Vietnã e Portugal. Já as importações ocorrem da Argentina, Lituânia, Estados Unidos, Alemanha, Rússia e China.

Economia:

De acordo com o boletim semanal Focus, o Banco Central mantém a previsão anterior da taxa Selic em 13% para 2022, enquanto que para 2023, e expectativa é que o indicador permaneça em 9%.