Canadá pode sofrer greve, impedindo transporte e venda de fertilizantes

14/Mar 2022 18:30  - Atualizado 4 meses atrás

Mercado Externo Milho Soja

O transporte de fertilizantes do país depende diretamente da disponibilidade e vazão por meio de ferrovias

Com planos de se estabelecer relações comerciais de importação de fertilizantes, a operação de logística e entrega de adubos canadenses pode estar em risco antes mesmo de começar. Uma das maiores ferrovias do país pode sofrer uma greve de funcionários que pode afetar o transporte das maiores produtoras de fertilizantes do mundo, prevista para começar dia 16 de março. A greve é uma iniciativa dos trabalhadores para reivindicar melhores condições de trabalho, benefícios, pensões e remuneração.


Negociações com órgãos federais e representantes dos trabalhadores irão acontecer, de modo a evitar a paralisação, mas a greve, caso necessário, irá ocorrer. A Nutrien, maior produtora de fertilizantes do mundo, se preocupa com a possibilidade de greve, e pede ao governo local que solucione o problema, dado o risco de interrupção do transporte de adubo às vésperas do plantio de primavera no Canadá.

A empresa de transporte, Canadian Pacific Railway, opera no transporte de diversas cargas agrícolas além de fertilizantes, como etanol, grãos, alimentos e produtos florestais.

Ucrânia bane exportações de fertilizantes:

De acordo com o Ministério da Agricultura, a Ucrânia baniu as exportações de fertilizantes.

O país já havia proibido exportações de algumas commodities agrícolas e introduzido licenças para seus principais bens de exportação — trigo, milho e óleo de girassol. A iniciativa visa manter o equilíbrio do mercado doméstico, frente à interrupção das atividades agrícolas após invasão russa, e se aplica a insumos de nitrogênio, fósforo, potássio e fertilizantes complexos. Os planos são de iniciar o plantio nas áreas seguras assim que possível.

Argentina suspende vendas de óleo e farelo de soja:

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina suspendeu o registro de vendas de exportação de óleo e farelo de soja. Segundo informações do jornal Clarín, o anúncio foi feito no início da colheita para evitar que a mercadoria saísse. A medida interrompe as vendas e exportações da safra 2021/22, mas os embarques físicos não foram iniciados porque não houve colheita. O país deverá responder por 41% das exportações globais de farelo de soja e 48% das exportações mundiais de óleo de soja na safra 2021/22, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

De acordo com analistas, a medida adotada pelo governo da Argentina é o primeiro passo para um possível aumento das tarifas de exportação, com indicativos do fechamento do registro de exportações, que indica uma mudança de planos. Novas medidas serão anunciadas nesta terça-feira (15).

O fechamento do cadastro gerou uma reação geral de repúdio por parte das entidades rurais, dos produtores agrícolas auto-organizados e da oposição.

Atualmente, os derivados da soja – óleo e farelo – são taxados em 31% de imposto. O grão é taxado em 34%. A expectativa é padronizar os três produtos em 34%.

Cálculos do governo estimam que a mudança na tarifa vai gerar uma receita adicional de US$700 milhões.