Agronegócio quebra recordes em fevereiro e exporta US$10 bilhões

15/Mar 2022 17:39  - Atualizado 4 meses atrás

Mercado Interno Milho Soja

Valor representa aumento de 65,8% em comparativo ao ano anterior

O agronegócio brasileiro exportou, em fevereiro, US$10,51 bilhões, representando aumento de 65,8% em comparação ao ano anterior, de acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura. O montante é recorde e ultrapassa os US$6,84 bilhões de fevereiro de 2019, até então o melhor resultado para o mês, e se deu pelo conjunto do aumento nos preços médios dos produtos exportados e pela alta na quantidade exportada.

Em relação às importações, o mercado agro alcançou US$1,25 bilhão em fevereiro de 2022, redução de 2% quando comparado ao ano anterior. Já para a soja, o volume recorde de exportação da oleaginosa em fevereiro, cerca de 3,6 milhões de toneladas, ajuda a explicar o aumento significativo nos índices de exportação. Só a China, em janeiro, foi responsável por adquirir quase 70% da quantidade de soja exportada pelo Brasil no ano. Já em relação ao retorno financeiro, a União Europeia segue sendo a principal compradora de produtos brasileiros, seguida por Indonésia, Tailândia e Vietnã.

O levantamento de SAFRAS e Mercado projeta a exportação de 14,321 milhões de toneladas de soja em grão para março. O volume embarcado no mês soma 4,096 milhões de toneladas. No mesmo mês do ano passado, as exportações somaram 14,915 milhões de toneladas, segundo estimativa. Em fevereiro, foram embarcadas 9,121 milhões de toneladas. Para abril, o line-up aponta embarques de 1,940 milhão de toneladas. De janeiro a abril de 2022, o line-up projeta o embarque de 27,731 milhões de toneladas.

As vendas externas de carne de frango subiram de US$510,58 milhões em fevereiro de 2021 para US$643,11 milhões, representando alta de 26%. O principal destino foi o mercado chinês, com exportações de US$85,58 milhões, seguido pelos Emirados Árabes, Japão, México, Arábia Saudita e União Europeia.

Em relação aos suínos, o acumulado de 2021 registrou o abate recorde de 52,97 milhões de cabeças, representando um aumento de 7,3%, ou 3,61 milhões de cabeças em relação ao ano de 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No 4º tri de 2021, foram abatidas 13,38 milhões de cabeças, aumento de  6,5% em relação ao mesmo período de 2020 e queda de 2,7% na comparação com o trimestre de 2021. É o melhor 4º trimestre da série histórica.

Fretes marítimos:

A pandemia e o desenrolar do conflito no leste europeu geraram uma falta de navios e  restringiram o acesso às rotas de transporte, desencadeando um aumento nos fretes marítimos para o Brasil, e em um cenário geral. A logística para exportações e importações é um fator significativo para a composição do preço de fertilizantes e insumos agrícolas, dado que o consumo brasileiro de bens importados ultrapassa 80% do consumo total.

Crédito rural:

Frente ao atual cenário da economia, conflitos no leste europeu e alta de insumos, inflação e produtos agrícolas, o governo estuda aumentar o espaço no Orçamento para os subsídios destinados às operações de crédito agrícola, segundo o jornal O Estado de São Paulo. A preocupação se dá pelo plantio da safra, de modo a evitar possíveis reduções na produção, desencadeando maiores riscos e aumentos na inflação. Em acordo com o Ministério da Economia, serão liberados R$868 milhões para subsidiar linhas de financiamento do atual Plano Safra.

Também será liberado um crédito extraordinário de R$1,2 bilhão para os agricultores dos estados afetados pela seca, para que possam pagar as parcelas dos empréstimos. A medida irá abordar os estados do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Plano Safra

Com o aumento das taxas básicas de juros, o orçamento prévio aprovado para o Plano Safra se mostrou insuficiente, tendo sido suspenso o acesso às linhas de crédito em fevereiro. O governo já tinha conseguido abrir espaço no Orçamento para adicionar R$600 milhões ao subsídio da linha do Plano Safra voltada aos pequenos produtos, via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e agora, busca o espaço no Orçamento (com corte de verbas em outras áreas) para os remanejo de mais R$ 868 milhões para as demais linhas do Plano Safra travadas.

O valor da demanda dos agricultores chega a R$4 bilhões. A equipe econômica, no entanto, aponta restrições orçamentárias e diz que será preciso garantir os recursos de forma gradual.

Senadores discutiram a possibilidade de destinar mais R$1,3 bilhões das emendas do chamado orçamento secreto para o segmento. 

O crédito extra de R$1,2 bilhão para as áreas afetadas pelo clima não entra no teto de gastos. A justificativa para a edição do crédito extraordinário, voltado para despesas urgentes e imprevisíveis, será a necessidade de garantir a segurança alimentar do País.